Bolsonaro não terá autoridade política para imitar Trump, diz Peter Hakim

Janine Moraes / Câmara dos Deputados / Flickr / CC BY 3.0

São Paulo – “Chocante. Inimaginável”, é assim que o cientista político americano Peter Hakim descreveu o resultado do primeiro turno da corrida presidencial no Brasil que consagrou Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) como os finalistas na disputa. O segundo turno das eleições 2018 está marcado para acontecer em 28 de outubro.

Hakim é presidente emérito de Diálogo Interamericano, organização não-governamental que é um dos maiores e mais respeitados centros de análise e debate sobre a política externa na América Latina, e concedeu uma entrevista por escrito a EXAME na qual avaliou o contexto atual do país e o cenário de um possível governo de Bolsonaro.

Segundo o seu diagnóstico, só um “milagre genuíno” é capaz de eleger Haddad teme que um governo Bolsonaro seja “extremamente fraco”. Além disso, nota que o candidato do PSL não terá a autoridade política para conseguir imitar os feitos do presidente americano Donald Trump, figura com a qual o brasileiro é frequentemente comparado. Sobre a democracia no Brasil hoje, deixa alerta: “ela corre um grande perigo – e tem poucos defensores poderosos”.

EXAME – Como você vê os resultados do primeiro turno das eleições 2018? O que ele nos mostra?

Peter Hakim – Chocante. Inimaginável. Não ele, não no Brasil, a mais moderada das nações da América Latina. O resultado mostra, em primeiro lugar, como estava errada a intuição de dos analistas brasileiros e estrangeiros no ano passado, quando a maioria previa que Bolsonaro fracassaria, que o Brasil não era uma sociedade altamente polarizada, pronta para votar na extrema-direita, que a maioria dos brasileiros rejeitaria o extremismo e o ódio que o candidato estava vomitando.

Segundo, o resultado sugere que os eleitores brasileiros não são mais compassivos, moderados ou tolerantes com as diferenças políticas, raciais e religiosas que eleitores de outros lugares do mundo – e que os brasileiros votam para defender o que percebem ser seus interesses pessoais e de suas famílias e não em valores ou normas mais abrangentes.

Terceiro, a distribuição dos votos precisa ser melhor avaliada, mas me parece sugerir que classe e diferenças regionais desempenharam um papel descomunal no comportamento eleitoral no Brasil.

Por fim, me parece que os eleitores brasileiros são similares aos eleitores do restante da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa no sentido de que, uma vez decidido o candidato, positivamente ou negativamente, novas informações são interpretadas de modo a confirmar suas crenças, são consideradas irrelevantes ou até falsas.

EXAME – O que podemos esperar da corrida eleitoral daqui em diante?

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Leia a entrevista completa no Exame