‘Lição para América Latina é que retórica de presidente tem de ser levada a sério’

Caleb Smith; Office of the Speaker of the House / Twitter / Public Domain

WASHINGTON – O tratamento do México pelo governo Donald Trump é um teste de como os EUA se comportarão com seus aliados, afirma Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano. Segundo ele, a orientação nacionalista do novo governo terá impacto em toda a região, que sofrerá com o aumento do protecionismo e restrições à imigração. “A lição para a América Latina é que a retórica de Trump tem de ser levada a sério”, disse Shifter em entrevista ao Estado. Em sua avaliação, as medidas do novo ocupante da Casa Branca devem reforçar o antiamericanismo na região e fortalecer políticos latino-americanos que tenham um discurso crítico aos EUA. A seguir, trechos da entrevista.

Como a retórica e as medidas de Trump já afetaram a relação EUA-México?

Provocaram um dano enorme. Havia a expectativa de que ele seria mais moderado na Casa Branca e entenderia a importância vital do México para os EUA, mas isso não ocorreu.

Qual é a importância do México para os EUA?

Essa é a mais importante relação que os EUA têm. Todas as questões estão presentes na agenda bilateral, que envolve quase todas as agências do governo americano. A relação se aprofundou ainda mais em razão do Nafta. O México é o terceiro maior parceiro comercial dos EUA. A equipe de Trump parece não entender isso.

E como a posição de Trump afeta os EUA?

Ela provoca um dano enorme para os EUA e a reputação do país no mundo. O tratamento do México, que é um importante aliado, é um teste sobre como os EUA tratam seus amigos. E muitas pessoas estão observando isso com grande alarme. Além disso, se Trump implementar suas propostas de tributos e tarifas de importação, isso prejudicará a economia americana. Há 6 milhões de empregos nos EUA que dependem do Nafta. Veremos aumento de preços, o que também terá impactos econômicos negativos. Os efeitos não serão tão severos quanto no México, mas prejudicarão a economia dos EUA e sua posição no mundo.

Leia a entrevista completa no Estadão